Definitivamente a pergunta que mais ouvimos antes de embarcarmos para o Paraguai foi: vocês vão fazer compras? Não, nós não planejamos ir até lá para fazer compras. O país surgiu por acaso na nossa vida, tínhamos um feriado a vista e pouco dinheiro no bolso (como de costume) e encontramos passagens em conta para o voo que acabou sendo o mais tenso da minha vida (veja aqui). Aéreo fechado e hospedagem reservada (veja aqui), começamos a lição de casa: montar um roteiro de dois dias na capital e maior cidade da República do Paraguai.

Descobrimos em nossa pesquisa algumas coisas que nós não sabíamos sobre Assunção: a maior aglomeração urbana do país vive na lá, a cidade tem Índice de Desenvolvimento Humano de 0,837 (considerado alto) e é a sede dos poderes executivo, legislativo e judiciário, do principal porto fluvial e do centro cultural do país. Outra coisa que descobrimos é que existem pouquíssimas informações turísticas disponíveis na internet, não é – com certeza absoluta – um destino ambicionado.

Pois bem, tínhamos dois dias e três noites e nosso roteiro incluía basicamente visitas aos prédios governamentais, igrejas e uma dupla de museus.

Desembarcamos Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi (que tem o tamanho de uma ameixa se comparado ao GRU) quase onze da noite, pegamos as malas, preenchemos o formulário da imigração ao lado dos balcões e passamos pelos agentes que carimbaram nossos passaportes, mas sequer olharam para nossa cara. Pronto, bem vindos ao Paraguai!

Dentro do aeroporto encontramos três casas de câmbio com taxas absurdas e um caixa eletrônico do Itaú, a moeda oficial do país é o Guarani, mas você pode pagar praticamente tudo com dólares americanos. Fizemos o câmbio suficiente para pagar o táxi que nos levaria até o nosso hostel, essa corrida de apenas 15 quilômetros nos custou R$80 (sim, chore nossas lágrimas), apenas uma cooperativa de táxi atende o aeroporto e não existe opção de transfer 🙁 . O taxista que nos atendeu não falava muito mais respondeu as perguntas que fizemos e garantiu que a cidade era segura para turistas.

No dia seguinte fomos explorar a região central, onde se concentram os principais atrativos culturais. Fizemos o percurso a pé e em nenhum momento utilizamos transporte público já que nos hospedamos no centro da cidade, então não podemos comentar nada além das cores inusitadas e da aparente precariedade dos ônibus.

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Os ônibus são todos coloridos!

Nossa primeira parada foi na Estación Central de Ferrocarril, antiga estação ferroviária onde hoje funciona um museu que conta um pouco dos seus 150 anos de estória (infelizmente deixamos para visitar o museu no final da tarde e quando chegamos já estava fechado, então fique atento ao horário de funcionamento). Seguimos de lá para Catedral Metropolitana de Assunção que para nossa decepção estava fechada. Caminhamos até o El Cabido, o prédio que abriga o Centro da Cultura da República Paraguaia e adivinhem, estava em reforma e por isso não conseguimos visitar. Seguimos em frente e logo chegamos ao famoso Palacio de López, sede do governo do Paraguai que foi batizado com o nome do ex-presidente Francisco Solano López, a linda instalação conta com forte esquema de segurança do exército, em todas as extremidades visualizamos soldados portando armas de alto calibre, seguranças inclusive nos alertaram que só podíamos ir até o canteiro central e nada além. O palácio do governo posiciona-se de frente para a Avenida Costanera, construída recentemente ao longo da orla da Bahia de Assunção, a bahia por sua vez é utilizada como zona portuária e é onde a marinha realizada seus treinos e administra uma base estratégica de proteção ao presidente. Ao longo da avenida é possível caminhar, correr, alugar bicicletas e até contratar passeios de barco. Por 10 mil guaranis nós contratamos um passeio de barco com o Carlos, um paraguaio que vivia em Ciudad Del Este (e já passou uma temporada no Brasil) e agora tenta ganhar a vida com o turismo na capital. Ao longo de nosso passeio, Carlos nos contou curiosidades da cultura paraguaia e fez duras críticas ao governo, inclusive nos contou que construção da Constanera envolveu grandes escândalos de corrupção (não é exclusividade do Brasil).

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Vista da Avenida Constanera.

Quase metade da tarde e estávamos famintos, resolvemos parar para almoçar no El Migrante, que foi uma grata surpresa já que a comida estava ótima, a cerveja bem gelada e a sobremesa divina. Consideramos um bom custo beneficio e recomendamos. Já era final de tarde quando saímos do restaurante estava chovendo bastante 🙁 , resolvemos voltar para o hostel, para descansar depois da longa caminhada.

No dia seguinte a chuva tinha piorado MUITO, sério São Pedro nos deve uma por isso haha. Primeira tarefa do dia foi adquirir um guarda-chuva, afinal… Seguimos até o Panteón Nacional de Los Heroes que era o ponto mais esperado da viagem pois o monumento conta toda a estória da guerra paraguaia, só que chegando lá, adivinhem… Estava FECHADO por motivo de reforma (insira um milhão de carinhas dessas 🙁 aqui). Quase em frente ao Panteón fica o Lido Bar, tradicionalíssimo na cidade.

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O famoso e lotado Lido Bar.

Seguimos então até a feira de artesanato local – próximo a entrada do terminal portuário – que é um ponto muito interessante mesmo para quem não pretende comprar nenhum suvenir, é possível conhecer um pouco da cultura indígena do país por lá.

Depois disso, como a sorte não estava ao nosso favor (e a chuva não deu trégua e estávamos com frio e com fome) partimos em busca de lugar para almoçar e assistir a final da Euro Champions League (sim, somos desses). Acabamos encontrando na rua do nosso hostel o Die Mannschaft Bar Paraguay, um pub alemão com ótima comida e ótimos preços, fechamos 🙂 . Ficamos lá até o final da tarde e depois fomos descansar já que nosso voo sairia de madrugada, de volta a São Paulo.

Resumindo nossas impressões sobre Assunção:
• É uma cidade com grande desigualdade social, ao lado de suntuosos prédios públicos estão favelas com esgoto correndo a céu aberto;
• O custo das atrações e dos restaurantes é relativamente baixo;
• Não nos sentimos ameaçados em nenhum momento enquanto caminhávamos pela cidade, é forte a presença das policias civil e militar e do exercito.
• No centro é possível observar muitos prédios abandonados, pichações por todos os lados e muitos cachorros de ruas.
• Não ouvimos o guarani (outra língua oficial do país) nas ruas, e quase não compreendemos o espanhol já que os paraguaios falam bastante rápido.
• Não existem muitas opções de compras no centro da cidade e o preço das que encontramos não pareceu tão vantajoso como ouvimos falar sobre Ciudad Del Este.
• É possível encontrar casas de câmbio com facilidade, o câmbio também é praticado nas ruas e os preços variam bastante.
• Os paraguaios amam sua bandeira, ela esta por todos os cantos da cidade, inclusive nas casas.
• Consideramos Assunção um destino turístico bastante válido, não demos sorte com o clima e com as reformas mas indicamos para quem quizer conhecer nosso vizinho. Três dias são suficientes para explorar o melhor da cidade.

Ufa, que post grande, parabéns se você chegou até aqui 🙂 .
Mas não se já sem antes contar pra gente se você acha valido ir até o Paraguai, seja para comprar ou para “turistar”.