Em fevereiro de 2010 embarquei em uma das maiores aventura da minha vida até então. Eu tinha 21 anos e tinha acabado de terminar a faculdade e abandonar um emprego no banco, embarquei sozinha no meu primeiro voo internacional com destino ao meu intercâmbio em Toronto, sem ter ideia do que esperar. Bom, essa estória na verdade começa um pouco antes, em meados do ano anterior, quando não tinha ideia do que fazer com a minha vida e a melhor coisa que conseguia pensar para “fugir” dos meus problemas era um intercâmbio.

Eu queria viajar, certamente queria melhorar o meu inglês e acima de tudo queria conhecer outro país, mas tinha medo – profundo e absoluto – da ideia de morar com desconhecidos. Foi quando dois dos meus amigos de faculdade voltaram de seus intercâmbios no Canadá, ambos, não por coincidência se hospedaram com a mesma Host Family e me recomendaram o local. Topei e passei trinta dias morando com a Eva, uma senhora de setenta e seis anos, canadense, não fumante, praticante de ioga, fã de Vinicius de Moraes e frequentadora do clube do livro. Ela me recebeu como alguém da família e me tratou assim por todo o tempo em que permaneci em sua residência.

A casa era linda e contava com uma ótima estrutura para abrigar até dois estudantes, com dois quartos amplos e individuais, o Steve – sobrinho da Eva – ocupou um desses quartos durante o tempo em estava hospedado na casa da tia, nesse período e por essa razão não convivi com outro intercambista, mas tive o prazer de conviver com dois canadenses, o que tornou minha experiência mais local.Fotos (8147)

A Eva cuidava das duas refeições que eu tinha contratado (café da manhã e jantar), preocupando-se em servir opções que atendiam minha dieta vegetariana, um amor de pessoa. De minha parte, me preocupava em ser uma boa hóspede, fazia minhas tarefas (lavar a louça das refeições, arrumar a minha cama pelas manhãs e manter meu quarto limpo) e tentava sempre que possível participar da rotina da família. Definitivamente, hospedar-se na casa de alguém é uma experiência realmente inusitada que recomendo para todos. Não é sua casa, não um hotel e não se parece com nada entre essas duas coisas. Existem diretos e obrigações de ambas as partes, mas vale muito a pena pela experiência cultural.

Fica apenas uma ressalva, eu não escolhi o país para onde queria ir, não escolhi a cidade de acordo com o que eu considerava adequado para experiência que queria ter, o que fiz foi escolher uma família e esta acabou determinando todo o resto, a cidade, o país e a escola de idioma. Portanto, fica a lição, não deixe o medo tomar decisões importantes por você. Eu tive uma ótima experiência de hospedagem e sou muito grata por isso. Sei que não tive sorte, eu tomei uma decisão ajustada que me levou para uma casa onde sabia que seria bem tratada. Muitos dos amigos não tiveram uma experiência tão boa quanto a minha, entre tantas estórias, alguns inclusive foram alocados em famílias de imigrantes que falavam inglês por vezes pior de que o deles. Mas vale lembrar que se não gostar da casa ou da família, por qualquer motivo, o intercambista tem o direito de pedir a substituição para a escola de idiomas, que normalmente é a responsável pela acomodação. Ou seja, nada nunca é perdido.

Ainda volto para contar mais sobre minha experiência de intercâmbio, mas para quem interessar eu contratei a CI e através deles adquiri meu seguro de viagem, comprei minhas passagens aéreas com tarifa de estudante via Air Canada e contratei as aulas de idioma na ILSC Canadá (que era a única escola que atendia minha exigência de hospedagem). Por curiosidade, paguei CAD 756,00 por quatro semanas de acomodação em quarto individual em regime de meia pensão, imagino que agora esse valor esteja bem desatualizado.

Você já se hospedou em casa de família? Como foi sua experiência?